Azeredo renuncia ao mandato de deputado federal
O deputado federal
Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu no chamado mensalão mineiro, renunciou ao seu
mandato nesta quarta-feira (19), por meio de uma carta entregue por seu filho,
Renato Azeredo, ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Na carta,
Azeredo critica a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), que diz
ter usado como prova "testemunhos e documentos falsos". "As
alegações injustas, agressivas, radicais e desumanas da PGR formaram a tormenta
que me condena a priori e configuram mais uma antiga e hedionda denúncia da
Inquisição do que uma peça acusatória do Ministério Público", escreveu. E na carta, o deputado não concorda com os
crimes a ele imputado.
Leia a íntegra da
carta
Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados
Quem assume a atividade política se sujeita a,
repentinamente, encarar situações dramáticas e até impensáveis, ditadas pelas
mudanças de conjuntura e por ataques, pressões e interesses de adversários. As
versões dadas aos fatos, sem cerimônia, estraçalham a vida pessoal como num
atropelamento inesperado na travessia de uma rua. Não importa o que a pessoa é
e o que já fez em favor da sociedade e dos ideais a que escolheu servir.
É assim que me sinto, hoje! Uma tragédia desabou sobre mim e
a minha família, arrasando o meu nome e a minha reputação, construídos com zelo
permanente a partir do legado exemplar que recebi de meus saudosos pais, Renato
e Ruth Azeredo — eles próprios, pessoas que também sempre se dedicaram à vida
pública e ao bem de Minas Gerais e do nosso país.
As acusações de que fui alvo pela Procuradoria Geral da
República, com base em testemunhos e documentos falsos, não me pouparam. De
cidadão, que deveria ter assegurado o sagrado direito de defesa, fui
transformado em mero alvo político destinado a sofrer ataques para compensar
delitos cometidos por outros.
A infeliz coincidência de uma agência de publicidade
contratada antes mesmo de meu governo, ter se envolvido em rumoroso episódio de
negociações suspeitas para fins políticos a nível federal, fez de mim um
cúmplice que não fui e nunca seria em ações de que nunca participei nem
participaria. As alegações injustas, agressivas, radicais e desumanas da PGR
formaram a tormenta que me condena a priori e configuram mais uma antiga e
hedionda denúncia da Inquisição do que uma peça acusatória do Ministério
Público.
Mas, contra elas, volto a assegurar e repetir que não sou
culpado de nenhum ato de peculato. Não fiz nenhum empréstimo fictício para a
minha campanha de reeleição ao governo de Minas em 1998. Não fiz nem faria, por
uma questão de princípio, nenhuma lavagem de dinheiro.
O governador de Minas Gerais, com 20 milhões de habitantes e
mais de 500 mil funcionários entre ativos e inativos, não governa sem
descentralizar, sem delegar! Insisto em que as responsabilidades de um
governador são semelhantes e proporcionais às de um presidente da República!
Mas de que adianta mais eu alegar que não sou culpado? O que
posso é reafirmar que estou pronto a responder em qualquer foro às acusações
que me fazem. Não vou, porém, me sujeitar à execração pública por ser um membro
da Câmara dos Deputados e estar sujeito a pressões políticas. Esta sanha não
quer que prevaleça a ponderação da Justiça, mas, sim, ver, pendurado e
balançando no cadafalso, o corpo de alguém exemplado para satisfazer os mais
baixos apetites em ano de eleição.
Minhas forças já se exaurem, com sério risco para a minha
saúde e para a integridade de minha família. Não aceito que o meu nome continue
sendo enxovalhado, que meus eleitores sejam vítimas, como eu, de mais
decepções, e que sejam atingidos o meu amado estado de Minas Gerais e o meu
partido, o PSDB.
Assim, comunico a esta Casa do Congresso Nacional e à
opinião pública que, neste ato, renuncio ao mandato de deputado federal que me
foi conferido por milhares de eleitores mineiros. Deixo o Parlamento para
dedicar todos os meus dias à defesa de minha honra e de minha liberdade.
Sem o mandato público, aguardarei o meu julgamento, certo de
que, na serenidade que deve presidir os veredictos, fique definitivamente
comprovado que não tenho culpa pelas acusações que sofri.
Peço, Senhor Presidente, que esta comunicação seja lida em
Plenário, inscrita nos Anais desta Câmara e publicado.
Brasília, DF, 19 de fevereiro de 2014.
EDUARDO BRANDÃO DE AZEREDO
Com informações: IG
Imagem: Agência Câmara




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